A Derrota E o Fim Do Laertismo

André Oliveira | 07:33 |



Laertismo é a forma mais apropriada de nomear, conceituar e caracterizar o grupo político que surgiu e administrou o município de Simonésia a partir do ano 2001.As raízes, o perfil, a essência e a influência do laertismo se revelaram e se estabeleceram já no início dessa experiência administrativa, e continuou até as eleições de 2012, quando parece (e espera-se) ter dado o seu suspiro final.

Por oito anos (2001-2008), a centralização, o personalismo, a vaidade, o autoritarismo, a arrogância, a traição, a deslealdade, o oportunismo e um governo de poucos prevaleceram. Além disso, a ausência de participação popular, de transparência, e, muito notadamente, a rara, especial, genial, notável e proposital competência para impedir e sufocar o surgimento de novas lideranças no interior do grupo político laertista foram marcas que se destacaram e deram muitos resultados, ruins, é claro.
Se tudo isso não bastasse, sobraram o desprezo, a ingratidão e o descaso de forma muito particular com os companheiros políticos e partidários, e de forma geral, com as demais pessoas, e tantas outras características da mesmice política que afloraram de forma intensa, galopante e crescente, embora o discurso anterior e mesmo durante o tempo de governo laertista tenha sido outro, o contrário de tudo que foi citado acima, inclusive adotando o falso, famigerado e fictício lema “jeito novo de governar”, que somente algum desinformado, alienado, simplório e/ou otário deve ter acreditado que aconteceu. É que entre o dito e o feito houve um abismo considerável.
Ao longo desses anos todos, houve, na administração municipal e na política local, em uma escala considerável, laertismo demais, mas petismo de menos. Muitos foram os laertista, mas poucos, porém, foram os verdadeiros petistas. Mas de antemão, é necessário não confundir laertismo (ou o felipismo) com o PT, pois este, na sua essência e projeto, na verdade nunca administrou Simonésia, apenas foi apropriado e usado como fachada. O mesmo vale para as demais lideranças e os partidos da coligação, com algumas exceções – que foram aqueles pouquíssimos apadrinhados e beneficiados.
O grupo laertista que administrou Simonésia, além de jogar areia nos olhos dos companheiros, de pôr abaixo qualquer expectativa favorável e de não entender que a política deve ser uma causa coletiva, comunitária e contínua, conseguiu a proeza de, em muitos aspectos, superar até mesmo alguns dos piores defeitos dos outros grupos políticos locais, causando decepção, desencantamento, frustração, revolta, fragmentação, dissidência e a desconstrução ética, política, partidária, ideológica, programática e eleitoral, sobretudo do PT. Ou seja, o laertismo divulgado pelos laertistas é uma coisa irreal, não passando de um delírio. Mas o laertismo vivido e conhecido pelas pessoas, ao ser revelado, se mostrou nefasto, sobretudo politicamente e historicamente. O tempo e os fatos estão mostrando isso.
Até mesmo como símbolo, o laertismo foi infeliz em sua escolha, pois adotou uma raça de cachorro, o tal do Pit Bull, nada simpática, querida e agradável, mas sim violenta e má, e que inclusive, por questão de segurança da população, alguns órgãos públicos têm proposto sua castração e extermínio. Demonstrou-se, dessa forma, um tremendo mal gosto de certas lideranças laertistas. Mas tudo isso apenas revela o caráter, a personalidade, o comportamento, as contradições, o nível cultural e a identidade de várias dessas lideranças e dos seguidores desse grupo político. Afinal, os símbolos têm força e significado, e falam por si mesmos.
Mas o mais estranho de tudo é que muitos laertistas acreditam até hoje que foram ótimos na administração (mas se esquecem de mostrar quais critérios e qual a escala de valores utilizados para, vaidosamente, se autoavaliarem assim), ou ainda que inventaram e implementaram um modelo administrativo exemplar, inovador e por aí vai. Mas quando? Onde? Como? Com quem? Para quem? Muitos, inclusive, têm saudades daquilo que nunca existiu na administração, estando mais para um tipo de alucinação. Haja insanidade. Questões como essas nem Freud explicaria!
Prosseguindo, convém ressaltar que o laertismo, como “oposição” política local nos últimos quatro anos, foi um fracasso, pois esteve omisso, ausente e acovardado, não soube assimilar o cenário político local e, em nenhum momento, teve coragem e competência para fiscalizar, denunciar, propor e ser uma alternativa viável. Sempre esteve fora do lugar, do tempo e do foco, totalmente distante, descontextualizado dos fatos e descompromissado com o município. Assim, fazendo a síntese de o laertismo ter sido situação por oito anos e “oposição” por outros quatro anos, conclui-se que na essência, ele conseguiu ser somente mais do mesmo. Enfim, o laertismo não transformou, não criou uma nova cultura política local, tampouco, um projeto político convincente e confiável. Uma oportunidade rara e perdida. E parece que muitos não se deram conta disso até o momento. Uma lástima. Mas esperar o que de certas lideranças?
Mas com uma candidatura (a mesma de sempre) dita de “oposição” posta para as eleições municipais de 2012 e tão propalada como messiânica e salvadora do município, o grupo laertista ficou contando com uma possível vitória (a ilusão e a ingenuidade dos inocentes custam caro somente para os que as compram, nunca para quem as vendem), adotando como tática e estratégia de campanha a mania de posar de honesto (posar é fácil, a questão é ser de fato honesto em tudo que a palavra significa e alcança), alimentando a possibilidade de cancelamento de centenas (Ou seriam milhares?) de títulos de eleitores adversários, esperando (Afinal, até quando?) a cassação da candidatura à reeleição da prefeita e contando com a traição do eleitorado adversário (Mas quantos seriam?  E quais seriam?), configurando assim uma posturas imatura, amadora, ridícula, simplória e risível. Fica a pergunta: Em qual mundo essas “lideranças” vivem?  Que análise da conjuntura local elas fizeram? Quem, entre elas, pensa verdadeiramente de forma racional, realista e equilibrada, a política local?
Ocorre que como tudo tem o seu fim, também chegou a vez do laertismo, não sem antes ter causado tantos estragos, como também subestimado e menosprezado a capacidade das pessoas e, principalmente, sempre é bom reforçar, dos históricos e verdadeiros militantes, companheiros e aliados, que em bom número não participaram ativamente do processo de disputa política e eleitoral, embora outros tenham aproveitado a oportunidade para uma revanche, contribuindo para levar o laertismo à humilhante e merecida derrota política e eleitoral nas eleições de 2012, fato este impensável para alguns laertistas apaixonados e iludidos.
Assim, independentemente de quais sejam as outras forças políticas locais existentes, o laertismo, ou o que ficou dele, sempre foi e será uma escolha equivocada e inviável, pois na prática ele não se diferenciou em nada dos outros grupos políticos, e pior, não se renovou, ao contrário, se contaminou com a pequena política, tornou-se envelhecido, caduco e petrificado.
Concluindo, espera-se que a derrota do laertismo também tenha sido o seu fim, embora sempre haja a possibilidade de algum masoquista político aloprado querer ressuscitá-lo com novas roupagens nas próximas eleições - já que o laertismo fez escola por aí -, o que também continuaria sendo um mau gosto, um equívoco e uma péssima opção, afinal, Simonésia merece uma força política de oposição diferente, autêntica, renovada e melhor.
                                                                                                                                                
Vicente Simão de Vasconcelos
Professor


Category: